
Susanne Messmer e George Lindt, diretores do documentário Beijing Bubbles
Na música o que chama mais atenção é uma cena punk emergindo em Pequim. O movimento foi retratado pelo documentário Beijing Bubbles - Punk and Rock in China’s Capital exibido neste ano na Resfest (Festival Internacional de Cultura Pop Experimental) que aconteceu na Cinemateca Brasileira. Em português, Bolhas de Pequim - Punk e Rock na capital da China. No documentário de 2004, Susanne Messmer e George Lindt, jornalistas alemães, registraram, durante quatro semanas, o cotidiano de três bandas punk chinesas: Joyside, Hang on the Box e New Pants.
Em entrevista para a Revista da Folha, os documentaristas datam o surgimento dos primeiros músicos de Rock na China, do final dos anos 80. Nessa época, o rock possuía um background político, ligado ao movimento pró-democracia. Nos anos 90, houve uma depressão, resposta da classe artística à violência do Exército chinês durante os protestos na Praça da Paz Celestial. Muitos artistas se exilaram nessa época, em países da Europa ou nos Estados Unidos. E, então, veio a internet, fundamental para estes novos músicos divulgarem seus trabalhos e absorver influências. E isso há apenas cinco anos.
A maioria destes artistas canta em inglês. Eles dizem que é difícil escrever letras em chinês porque há quatro tons diferentes. Mas, os alemães consideram que a escolha se dá pelo fato destes chineses quererem fazer parte da cena musical internacional. E a justificativa dos autores para uma cena tardia e ocidentalizada ter alguma relevância é a seguinte.
“A diferença é que é muito mais corajoso, mais significativo, ser o que eles são na China do que em qualquer outro lugar do mundo. Lá, os jovens estão tentando comprar um apartamento aos 22 anos. Tentam se casar o mais rápido possível, ter filhos e arrumar um emprego. É mais corajoso ser um punk e não ganhar dinheiro na China do que em outros lugares do mundo”.
Em conversa com o Gilberto Scofield Jr., correspondente do O Globo na China, por email, ele também citou a banda Hang on the Box e comentou o seguinte sobre a nova cultura realizada na China:

Hang on the Box (quase escrevi “on the Blog…”)
“A cultura produzida hoje em Pequim ainda é muito influenciada pelo Ocidente, mas tenta seriamente encontrar um caminho próprio, um jeito oriental e chinês diferenciado. Ontem mesmo eu fui ao show de três bandas de rock, uma eletrônica, sobre as quais estou escrevendo uma matéria para o segundo caderno. A mais importante delas se chama Hang on the Box, é formada por três meninas e tem oito anos de estrada. No início, era uma gritaria punk chatíssima. Hoje, fazem um som que mistura elementos chineses e melodias eletrônicas que são muito legais. Estão melhores. Isso é bem a evolução da cena pop/rock aqui”.




axei muito interessante essa matéria pois relacionou o mundo da música com um pouco das historia polítca da China…pois como todos os tempos existem repressoes e “democracias fascistas” e também temos q por em questao q se existe um verdadeiro som do genero rock na China é porque os antepassados desses mesmos musicos citados lutaram e resistiram até o fim…mto bacana força aí
abraço