Arquivo 'Música' Categoria

Diego Medina não pára: ZOMBIEOPER e CUSTOMILK

 


Diego Medina, por Grazi Kerpen em foto para Revista MTV

O Blog da Bangoo entrevistou o Diego Medina, gaúcho, designer, ilustrador, multi-instrumentista, vocalista, produtor, diretor de arte, videomaker, garoto propaganda, modelo, dançarino… E sim! A parte do garoto propaganda é verdade! Dá pra ver o Diego aqui e aqui promovendo a cerveja Polar, como se pode dizer, a cerveja oficial do Rio Grande do Sul, e como o “chocolate” do Twix. (quase escrevi Twitter, eita!)

Como Martin Luther, Diego tem um sonho… “Meu sonho seria morar numa casa enorme com um pátio enorme onde eu pudesse trabalhar por lá o tempo todo, seja com música, ilustrações, direção de arte, vídeos, etc. Mandaria meu trabalho pela internet, depositariam o pagamento na minha conta e deu”. Mais ou menos assim dá para resumir esse cara multimídia que faz e quer continuar fazendo tudo e de tudo em casa.

Sobre Toyart, um assunto que sempre volta aqui no blog, ele afirma adorar o gênero, mas ainda acha muito caro. Ele tem alguns, mas os que ele mais sonha comprar custam muito caro e ele não é tão doido varrido a ponto de gastar tanto dinheiro. Ao mesmo tempo, criticou os muito aficionados: “Ao meu ver, são pessoas tão irritantes quanto os “indies” que precisam estar sempre na moda, ouvir tudo que é artista hype. Esse desespero em querer ser sempre cool, descolado me irrita”.

Na CUSTOMILK, exposição de Toyart feitos em caixas de leite longa vida da qual eu falei sobre aqui no Blog ontem, Diego participou customizando uma das caixinhas. Quando perguntei se alguma das que estavam no site era a dele, ele negou e respondeu humilde que a dele estava bem mais sem graça, que fez às pressas, ficou “sujona” mas que gostou do resultado.

O designer tenta mudar um pouco a linha de seu trabalho em design e ilustras. “Acho que já encheu o saco esse lance de bichinhos fofinhos, carinhas fofinhas, psicodelia fofinha, trocentas ilustrações parecidas. Eu curtia bastante esse tipo de traço, mas vou tentar seguir por uma linha mais demente, experimental. Claro que meu lado mais pop, mais limpo vai aflorar junto, mas preciso achar um meio termo entre o podre + sujo + estranho e o limpo + fofo + psicodélico“. Dá pra ver um pouquinho do que ele já fez nessa área no site dele.

Uma das facetas mais conhecidas do Diego é como músico. Ele foi vocalista da Vídeo Hits que começou com uma demo caseira e acabou nas mãos de uma gravadora. A banda teve um relativo sucesso, principalmente no sul do país, mas dessa fase ele não gosta de falar muito. “Não tenho mais saco pra contar a história toda. Por mim, ela segue morta e enterrada, não tenho saudades daquela época. Deixar que tanta gente meter a mão num troço que é artístico sempre dá em merda. Empresários, diretores de gravadora, tour manager, é muita gente dando pitaco num troço que supostamente é pra ser mais livre, mais artístico. Eu nunca vi música pelo lado mercadológico, quando vi como funciona, broxei, mas não cuspo no prato 100%”.

Amigos do Diego gravando disco 777

Após o fim da Vídeo Hits, Diego não parou de fazer música. No site dele e no Trama Virtual você consegue baixar todos as faixas dos projetos musicais, tipo os Massa, o projeto em que ele junta todos os amigos em casa e a galera bebum improvisa alguma coisa. “Em breve sai o disco 777, como gravamos o 666 louvando o diabo ano passado, no dia 06/06/06, resolvemos fazer um em prol de Deus no dia 07/07/07. O engraçado é que o disco do diabo ficou fofinho, e o disco pra deus ficou raivoso”.

Diego e Desirée em foto de divulgação da ZOMBIEOPER

Senador Medinha é o outro projeto de Diego que ele grava sem essa galera toda quando quer deixar as músicas bem gravadas e certinhas. Junto com Desirée Marantes, violinista dos Massa, eles lançaram hoje ZOMBIEOPER, uma ópera rock de 24 faixas com o tema zumbis X humanos. O disco tem participação d´Os Massa, Roberto Panarotto (Repolho), FLU (ex-De Falla), Benjão (Do Amor), Gabriel Bubu (Los Hermanos, Do Amor), Kassin (…+2), Gruff Rhys (Super Furry Animals), Thomas Dreher, Carlita (a esposa do Diego), o pai do Diego, e por aí vai…

Gruff Rhys, vocal do Super Furry Animals, dando uma palhinha na casa do Diego

Você leu Super Furry Animals no meio de tudo isso e assustou? Eu também. Ele explicou como aconteceu. “O Kassin, produtor carioca e amigão meu, me apresentou o Gruff, vocalista do Super Furry Animals, há uns anos atrás quando a banda estava mixando um disco no Rio. Eu sempre curti a banda, desde o primeiro disco. Aí neste ano o Gruff me mandou um email avisando que vinha pro Brasil pra tocar em São Paulo e para gravar um documentário sobre galeses (o Super Furry é do país de Gales) que vivem na América do Sul. Ele me disse que ia passar pelo Rio Grande do Sul e queria me encontrar. QUASE CAÍ DURO PRA TRÁS!! Como estávamos gravando o disco, convidei ele pra aparecer lá em casa e gravar alguma coisa pra ópera. Ele topou numa boa. Aí eu fui pro céu…”

Corre para ouvir a ZOMBIEOPER!
http://www.zombieoper.com

Strawberry Fields are forever

Este ano está um ano bem cheio de notícias relacionadas aos Beatles, né? Ok, a verdade é que desde os anos 60 não param de acontecer fatos relacionados em algum grau aos garotos de Liverpool…

Mês passado, Yoko Ono inaugurou em São Paulo sua exposição pelo centenário da imigração japonesa no Brasil, com direito a apresentação performática no Theatro Municipal que concentrou metade do PIB brasileiro em um lugar só (a partir da foto 4) hehe. As fotos da performance a seguir são emprestadas da fotógrafa Caroline Bittencourt. Obrigada, Caroline. :)

Para quem perdeu a performance, a exposição ainda está em cartaz no Centro Cultural Banco de Brasil até dia 03 de fevereiro. Yoko Ono – Uma Retrospectiva faz um apanhado da carreira artística da nipônica e inclui “Ceiling Painting”, a obra que conquistou John Lennon - Uma escada com uma lupa presa por uma corda no teto, para que o objeto seja utilizado e seja possível ler no alto escrito bem pequenininho: “yes”.

Agorinha semana passada, estreou em circuito o musical Across the Universe, dirigido por Julie Taymor, também diretora do filme sobre a artista plástica mexicana Frida. Across the Universe é baseado em músicas e referências dos Beatles, desde o nome do filme, dos personagens, à época em que vivem, até as músicas que os personagens cantam, canções… dos Beatles. O filme tem participações especiais de Bono Vox, Joe Cocker e Salma Hayek.

Ah sim, anteontem foi aniversário de morte de John Lennon. Nesse link foi postada uma carta aberta de Yoko para John por este 27° aniversário da morte.

Imagine Peace!

Huge in China III - Punk Rock


Susanne Messmer e George Lindt, diretores do documentário Beijing Bubbles

Na música o que chama mais atenção é uma cena punk emergindo em Pequim. O movimento foi retratado pelo documentário Beijing Bubbles - Punk and Rock in China’s Capital exibido neste ano na Resfest (Festival Internacional de Cultura Pop Experimental) que aconteceu na Cinemateca Brasileira. Em português, Bolhas de Pequim - Punk e Rock na capital da China. No documentário de 2004, Susanne Messmer e George Lindt, jornalistas alemães, registraram, durante quatro semanas, o cotidiano de três bandas punk chinesas: Joyside, Hang on the Box e New Pants.


New Pants


Joyside

Em entrevista para a Revista da Folha, os documentaristas datam o surgimento dos primeiros músicos de Rock na China, do final dos anos 80. Nessa época, o rock possuía um background político, ligado ao movimento pró-democracia. Nos anos 90, houve uma depressão, resposta da classe artística à violência do Exército chinês durante os protestos na Praça da Paz Celestial. Muitos artistas se exilaram nessa época, em países da Europa ou nos Estados Unidos. E, então, veio a internet, fundamental para estes novos músicos divulgarem seus trabalhos e absorver influências. E isso há apenas cinco anos.

A maioria destes artistas canta em inglês. Eles dizem que é difícil escrever letras em chinês porque há quatro tons diferentes. Mas, os alemães consideram que a escolha se dá pelo fato destes chineses quererem fazer parte da cena musical internacional. E a justificativa dos autores para uma cena tardia e ocidentalizada ter alguma relevância é a seguinte.

“A diferença é que é muito mais corajoso, mais significativo, ser o que eles são na China do que em qualquer outro lugar do mundo. Lá, os jovens estão tentando comprar um apartamento aos 22 anos. Tentam se casar o mais rápido possível, ter filhos e arrumar um emprego. É mais corajoso ser um punk e não ganhar dinheiro na China do que em outros lugares do mundo”.

Em conversa com o Gilberto Scofield Jr., correspondente do O Globo na China, por email, ele também citou a banda Hang on the Box e comentou o seguinte sobre a nova cultura realizada na China:


Hang on the Box (quase escrevi “on the Blog…”)

“A cultura produzida hoje em Pequim ainda é muito influenciada pelo Ocidente, mas tenta seriamente encontrar um caminho próprio, um jeito oriental e chinês diferenciado. Ontem mesmo eu fui ao show de três bandas de rock, uma eletrônica, sobre as quais estou escrevendo uma matéria para o segundo caderno. A mais importante delas se chama Hang on the Box, é formada por três meninas e tem oito anos de estrada. No início, era uma gritaria punk chatíssima. Hoje, fazem um som que mistura elementos chineses e melodias eletrônicas que são muito legais. Estão melhores. Isso é bem a evolução da cena pop/rock aqui”.

Huge in China - Introdução

Você pensa que a Bangoo é apenas um rostinho bonito? Bangoo também é cultura! Produzimos uma matéria super legal sobre Cultura Pop Chinesa - Isso mesmo: CULTURA-POP-CHINESA. Ficou curioso? Nós também! Mas em partes, porque esse negócio de ler no monitor cansa a vista…

HUGE IN CHINA

Com seu bolinho crescendo 9% ao ano - há dez anos, berço de 1/5 da população do planeta, geradora de 16,82% de toda a riqueza mundial, esse Dragão produz Cultura Pop?

Pensou Cultura Pop na China, pensou no Mao Tsé Tung multicor de Andy Warhol, porcelana kitch, brinquedinhos e todo tipo de quinquilharia de qualidade duvidosa ou pirateada. Mas você é a mesma pessoa de 20 anos atrás? A China também não é. Principalmente depois da abertura para a pouca vergonha do ocidente, uma puberdade muito louca…

n. 5 Mao Tsé Tung Series, Andy Warhol, 1972

Sim, as referências da nova Cultura Pop Chinesa agregam kitsch, reprodução do que é feito no ocidente e Japão, pop art. Mas os trabalhos que merecem destaque remetem principalmente aos ranços de um governo totalitário que ainda hoje cerceia a liberdade de expressão e limita desde acesso à Internet, ao número de filhos que um casal pode gerar. “My little China Girl says: Oh baby just you shut your mouth” diria David Bowie no início dos anos 80. O governo chinês diz em 2007.

Gilberto Scofield Jr. é correspondente em Pequim do jornal O Globo desde 2004 e diz o seguinte sobre a sociedade e a cultura chinesas:

Todos os clichês foram devidamente reenquadrados, especialmente aquele que diz que as sociedades orientais são mais zens, calmas e introspectivas. Não é o caso da China, onde vale tudo por dinheiro e as pessoas parecem à beira de um ataque de nervos. Acho que a cultura produzida hoje em Pequim ainda é muito influenciada pelo Ocidente, mas tenta seriamente encontrar um caminho próprio, um jeito oriental e chinês diferenciado.

A nova cara dessa produção chinesa, realizada principalmente por jovens, e divulgada por meio da internet pode ser observada em pinturas, fotografias, ilustrações, músicas, blogs e fotologs, por mais que o governo chinês tente impedir essas manifestações com medidas como proibir exposições, bloquear o acesso a grandes sites que hospedam esses serviços como YouTube, Blogger. Medidas revogadas, mas ainda em observação pelo governo chinês.

 

… continua no próximo capítulo.