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“Do Ukiyo ao Mangá”: traça um panorama da arte nipo-brasileira

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Urata Spancall, 2007, Sem Título

O Espaço Cultural BM&F/Bovespa inaugurou esta semana exposição em homenagem aos 100 anos da imigração japonesa. ‘Do Ukiyo ao Mangá’ traça um panorama da arte nipo-brasileira: da primeira leva de imigrantes aos dias atuais. A exposição é dividida em três principais momentos: Pioneiros, Pós-Bienal ou Pós-Guerra e Contemporâneos.

As 70 obras de mais de 40 artistas incluem pinturas, sumi-ês e mangás. Além de parte dedicada aos ukiyos - gravuras japonesas anteriores à imigração - datadas dos séculos XVII, XIX e XX e um espaço reservado às cerâmicas e esculturas.

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Manabu Mabe, 1997, Auto-Retrato

Pioneiros contempla a produção realizada entre os anos 30 e 40. São apresentadas e gravuras em sumi-ê - técnica monocromática que usa tinta preta extraída de vegetais, o sumi. A técnica faz necessárias pinceladas rápidas e precisas, além de atuação quase teatral do pintor. Manabu Mabe é o artista em destaque.

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Yayoi Kusama, 1999, Copo com Canudo

Em 1951, com o final da guerra, a primeira edição da Bienal trouxe 49 artistas japoneses que provocaram mudança no foco da arte de artistas nipo-brasileiros, cujo trabalho, a partir de então, se tornou fortemente influenciado pelo abstracionismo. Além do caminho abstracionista, estão na exposição dois dos expoentes da vanguarda japonesa de pop art, representadas por Takashi Murakami e Yayoi Kusama.

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titi Freak, 2008, O Encontro

A última fase da mostra, Contemporâneos, aglutina novos artistas nipo-descendentes da Choque Cultural. Globalizados, têm em comum uma relação muito forte com a cultura de rua, grafitti e ilustração.

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Atsuo Nakagawa, 2008, Sem Título

Entre os artistas estão os japoneses Atsuo Nakagawa e Urata Spancall que mantém constante intercâmbio com brasileiros, Titi Freak, que trabalhou nos estúdios de Maurício de Souza e recentemente foi convidado pela Nike. Também estão na exposição, Rafael Buia, Gachaco, Yumi Takatsuka e Whip.

Serviço:
Do Ukiyo ao Mangá
Espaço Cultural BM&F/BOVESPA
Praça Antonio Prado, 48
São Paulo - Centro
Horário: Segunda a sexta, 10h às 18h
Visitas monitoradas podem ser agendadas pelo telefone: (11) 3119-2404
Até 19/08
Grátis

Boogie lança “São Paulo”

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Vladimir Milivojevich, o fotógrafo Boogie, nasceu em 1969 em Belgrado, Sérvia. Lá foi criado e vivenciou 10 anos de crise econômica e guerra civil. Seu trabalho ficou conhecido por suas fotos cruas em preto e branco, retratando geralmente situações e pessoas em pobreza e/ou violência extremas.

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Suas primeiras fotos, ainda em sua cidade natal, capturaram o cotidiano de grupos neo-nazistas. Em meados dos anos 90, o fotógrafo conseguiu um green card em uma rifa e mudou-se para Nova York. Morou inicialmente no Queens e depois se mudou para o Brooklyn. Lá fotografou viciados e gangues em Nova York que compõem It’s All Good, seu primeiro livro lançado em 2006, seguido de Boogie, em 2007, e Belgrado Belongs to me, este ano.

Tempo depois, com algum reconhecimento alcançado, o fotógrafo fez trabalhos comerciais para a campanhas comerciais como a Real Basket da Nike e teve a oportunidade de viajar para países como Bulgária, França, Itália, Sérvia, Brasil, Cuba, România, Alemanha, Turquia e Grécia.

Em entrevista de 2007, Boogie afirmou que sua cidade preferida até o momento havia sido São Paulo. Pelo jeito o favoritismo rendeu. O fotógrafo acabou de lançar em parceria com a editora americana PowerHouse Books um livro intitulado São Paulo com registros de sua experiência na cidade brasileira.

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Antes do lançamento do livro, em entrevista ao site de fotografia Lost.art.br, Boogie contou sobre sua experiência em São Paulo.

A sensação dominante em São Paulo é de que algo ruim pode acontecer a qualquer momento. Caminhar era cansativo porque eu tinha que ficar esperto o tempo todo. Era fotografia de guerrilha de certa forma. Eu fotografava rapidamente, mudava de locação, e voltava a fotografar. É uma cidade estranha com uma energia estranha. Comunicação era um grande problema porque poucos falam inglês.

Estive lá por uma semana e por uns três ou quatro dias fiquei com algumas pessoas locais. Isso ajudou muito. Eu não tinha idéia do que esperar. Pessoas estavam tentando me assustar com histórias de sequestros e roubos a mão armada, mas eu estive ok. É perigoso, mas não é Bagdá, você sabe.

É possível conferir outras fotografias tanto de “São Paulo” quanto dos outros livros do fotógrafo em seu site: http://www.artcoup.com/